Eleição é sinal de perigo para a política econômica


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08/08/2009, 12:12

Não adianta negar: O governo pode usar (e usa) a máquina para se perpetuar no poder e já nos acostumamos a isso, como se fosse a característica mais natural do mundo, algo similar à necessidade de se alimentar ou tomar água. A possibilidade da reeleição evidentemente aprofunda essa característica.

O problema é que reside exatamente aí uma dificuldades de amadurecimento da democracia latina. Diferente dos saxões, que encaram com naturalidade a alternância do poder, nós somos passionais e entendemos essa alternância como uma derrota pessoal, mesmo quando já não exista a possibilidade da reeleição (“O prefeito foi tão ruim que nem o sucessor conseguiu eleger”).

É uma ótica invertida. O correto do ponto de vista da democracia seria avaliar que a proposta do outro candidato era melhor. Mas isso é coisa para povo que tenha o que comer e capacidade crítica suficiente para não votar simplesmente para garantir um suposto “benefício social”.

No Brasil, em plena crise internacional, o Ministro Marionete Mantega deve estar em apuros. Ele afirmou ontem (6/ago) em Washington, após um seminário para empresários, que o Brasil já está crescendo “a 4% desde julho”.

Eu não sei de que Brasil ele está falando, mas não é do mesmo em que eu vivo e, certamente, não é o que está pretendendo seu próprio partido, aliás, completamente partido (desculpe o trocadilho, não consegui controlar) e os demais da “base aliada”.

Com aliados como esses, quem precisa de inimigos?

Fogo amigo

O PT conseguiu aprovar um projeto que beneficia empresas exportadoras com créditos de IPI. Até aí, tudo bem, porque realmente precisamos exportar mais, no entanto, não existiria nenhuma justificativa lógica para estender esse crédito retroativamente a 2002. O custo disso será de R$220 bilhões e só pode ter uma explicação: as empreiteiras serão beneficiadas.

Empreiteiras? Sim, afinal as grandes vivem fazendo obras no exterior. Empreiteiras? Aquelas que costumam colaborar com vultosos valores para campanhas políticas? É, essas mesmas. Hmmmm...

Mas não é só isso. Estão tramitando outras pérolas da benesse pública, justamente num período pré-eleitoral, segundo a Revista Exame:

- Fim do fator previdenciário, do senador Paulo Paim (PT). Por este projeto, as pessoas passam a se aposentar sem descontos por tempo de serviço e idade. Impacto: 5 bilhões de reais ao ano

- Reajuste das aposentadorias de acordo com o salário-mínimo, também do nobre senador Paulo Paim. Impacto: 5,8 bilhões de reais ao ano

- Equiparação dos salários de delegados federais aos vencimentos dos procuradores da República, do deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB). Impacto: 3,2 bilhões de reais ao ano, se forem incluídos os delegados estaduais das polícias civil e militar

- Adicional por tempo de serviço para as carreiras do Magistério e do Ministério Público, autoria do deputado Régis de Oliveira (PSC). Impacto: 15 bilhões de reais ao ano, se forem incluídos os estados.

Claro que aqui não se computam os namorados das netas, os netos, as “amigas”, mães jornalistas de filhos ilegítimos dos senadores, portanto, a soma será maior.

Diz a oposição que a brincadeira chegaria, se aprovada, a R$3,3 bilhões por ano.

Aliás, a sorte do governo será se a oposição conseguir se organizar e impedir isso. Do contrário, vamos ter um ano de eleições extremamente animado e um pós-eleitoral completamente desastroso.

 



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